Quase todo mundo tem pintas — e a esmagadora maioria delas é inofensiva e vai continuar assim a vida toda. O problema é que, olhando no espelho, é difícil saber quais merecem atenção.
A regra do ABCDE existe justamente para isso. Ela não substitui a consulta e não fecha diagnóstico: é um roteiro de observação, criado para ajudar você a perceber quando vale a pena mostrar uma lesão a um dermatologista.
A de Assimetria
Trace uma linha imaginária no meio da pinta. As duas metades são parecidas? Lesões benignas costumam ser simétricas. Quando um lado é claramente diferente do outro, vale observar com mais cuidado.
B de Bordas
Bordas regulares, bem definidas, com um contorno nítido entre a pinta e a pele ao redor são o esperado. Bordas irregulares, serrilhadas ou que parecem "escorrer" para a pele vizinha pedem avaliação.
C de Cor
Uma pinta comum tende a ter uma cor só, uniforme do centro à borda. Merecem atenção as lesões com mais de um tom — castanho e preto misturados, áreas avermelhadas, esbranquiçadas ou azuladas dentro da mesma pinta.
D de Diâmetro
O número mais citado é 6 milímetros, mais ou menos o tamanho da borracha na ponta de um lápis. É uma referência útil, não uma regra rígida: melanomas podem ser diagnosticados com menos de 6 mm, e muitas pintas grandes são completamente benignas.
E de Evolução
Esse é o mais importante dos cinco. Mudança é o principal sinal de alerta. Uma pinta que cresceu, mudou de cor, de formato ou de relevo, que passou a coçar, sangrar ou descamar, merece avaliação — mesmo que ela "passe" nos outros quatro critérios.
O sinal do patinho feio
Existe um complemento à regra que costuma ser ainda mais prático no dia a dia: observe o conjunto. As pintas de uma mesma pessoa tendem a se parecer entre si, como irmãs. Quando uma delas destoa visivelmente das outras, ela é a que merece ser mostrada ao médico.
Quando procurar um dermatologista
- Qualquer lesão que mudou nos últimos meses
- Feridas que não cicatrizam em três a quatro semanas
- Lesões que sangram ou coçam sem motivo aparente
- Uma pinta que destoa de todas as outras
E, independentemente de qualquer sinal: se você tem muitas pintas, pele clara, histórico de queimaduras solares ou casos de câncer de pele na família, a avaliação periódica deve ser rotina, não reação.
O ABCDE ajuda a decidir quando procurar ajuda. O diagnóstico é sempre do médico, com o exame da pele e, quando indicado, a dermatoscopia.


