Dr. Carlos Arthur Athayde
Voltar para o blog

Cuidados diários3 min de leitura

Protetor solar: o que muda entre FPS 30 e FPS 50

A diferença de proteção é menor do que parece — o que realmente pesa é a quantidade aplicada e a reaplicação.

CADr. Carlos Arthur AthaydeCRM RJ: 52.101.999-6

É a pergunta que mais aparece no consultório na véspera do verão: vale pagar mais caro pelo FPS 50? A resposta curta é que a diferença entre os dois existe, mas é bem menor do que o número sugere — e provavelmente não é ela que está limitando a sua proteção.

O que o número realmente significa

O FPS mede a proteção contra a radiação UVB, a principal responsável pela queimadura solar. Na prática:

FPS Radiação UVB bloqueada
15 cerca de 93%
30 cerca de 97%
50 cerca de 98%

Dobrar o FPS de 30 para 60 não dobra a proteção. A curva é logarítmica: os primeiros pontos de FPS fazem quase todo o trabalho, e a partir de 30 os ganhos são pequenos.

Isso não quer dizer que FPS alto seja inútil. Ele dá margem de segurança justamente porque quase ninguém aplica a quantidade correta — e é aí que está o problema de verdade.

A quantidade é o que quase todo mundo erra

O FPS impresso no rótulo é medido em laboratório com 2 mg de produto por centímetro quadrado de pele. Traduzindo para o banheiro de casa:

  • Rosto e pescoço: o equivalente a uma colher de chá rasa
  • Corpo inteiro: cerca de uma colher de sopa, ou o suficiente para encher a palma da mão

A maioria das pessoas aplica entre um terço e metade disso. E a proteção real cai de forma desproporcional: usar metade da quantidade de um FPS 50 não entrega FPS 25 — entrega bem menos.

Um FPS 30 bem aplicado protege mais do que um FPS 50 aplicado pela metade.

Reaplicar não é detalhe

O filtro se degrada com a luz, sai com o suor, com a água e com o atrito da toalha e da roupa. A recomendação é reaplicar:

  • A cada duas horas de exposição
  • Logo após nadar ou se secar
  • Com mais frequência em atividade física intensa

Em um dia normal de trabalho, com pouca exposição, uma aplicação pela manhã e outra no início da tarde já mudam bastante o resultado.

O que olhar além do FPS

  • Proteção UVA. O FPS não mede UVA, a radiação ligada ao envelhecimento e também ao risco de câncer de pele. Procure no rótulo o selo PPD ou a indicação de amplo espectro.
  • Textura. O melhor protetor é o que você usa todos os dias. Se o produto é pesado, arde ou deixa a pele oleosa, ele vai ficar na gaveta.
  • Resistência à água, se o seu dia envolve praia, piscina ou esporte.

O filtro não trabalha sozinho

Nenhum protetor bloqueia 100% da radiação. Ele é uma camada de um conjunto que inclui chapéu de aba larga, camiseta com proteção UV, óculos escuros e — o mais subestimado de todos — evitar o sol entre 10h e 16h.

Se você já teve câncer de pele, tem muitas pintas ou histórico familiar, a proteção diária deixa de ser cuidado estético e passa a ser parte do tratamento.

Continue lendo